Por que o Cohousings estão se tornando os queridinhos das incorporadoras, investidores e donos de terra

Cohousing não é apenas tendência social. É um novo vetor de lógica imobiliária com potencial estratégico.

Durante décadas, o Cohousing foi percebido apenas como uma forma alternativa, um modelo de moradia comunitária, ligado a grupos que buscavam outra maneira de viver, mais colaborativa e menos convencional. Essa dimensão social nunca deixou de existir e justamente por isso o modelo tem crescido globalmente, enquanto expressão de novas aspirações de vida.

O que se observa agora, no entanto, é uma transição: o Cohousing começa a integrar o radar de incorporadoras, investidores e donos de terra, como um formato imobiliário que responde estruturalmente a tendências demográficas, econômicas e urbanas profundas.

Pesquisas recentes sobre moradias alternativas indicam que modelos como Cohousing, em que moradias privativas coexistem com espaços e decisões coletivas, ressoam com motivações ligadas a custo de vida, sustentabilidade, qualidade de vida e combate ao isolamento social. Isso se manifesta tanto em países nórdicos como nos Estados Unidos e também começa a crescer no Brasil.

Além disso, relatos de projetos internacionais mostram que o Cohousing tem se expandido de forma concreta: existem dezenas de comunidades ativas e muitas em desenvolvimento, com perfis que, internacionalmente, vão desde grupos de jovens profissionais até senior Cohousing, evidência de que o conceito social permanece vivo e atrativo.

Essa dimensão social, ligada a pertencimento, suporte mútuo e convívio, é uma das razões pelas quais o Cohousing não pode ser descartado como simples moda. Ela alimenta a demanda natural pelo modelo.

O interesse começa a se consolidar quando investidores passam a enxergar: demanda crescente por formas de moradia com senso de pertencimento e coesão (especialmente em mercados urbanos tensionados), voltados para a população +60; menor rotatividade em projetos bem estruturados comparada a estoques residenciais comuns; maior engajamento dos moradores com a manutenção e com os espaços; potencial de valorização de ativos com ocupação mais estável e resiliente e conexão com temas como envelhecimento ativo e uso mais inteligente do território urbano.

Investidores que captam essas dinâmicas deixam de olhar o Cohousing como exceção e começam a considerá-lo uma classe de ativo emergente com fundamentos próprios, híbrido entre atividade residencial, comunidade e ativo de longo prazo. O maior equívoco em muitos projetos não está no conceito ou na abordagem social, mas na tentativa de encaixá-lo em estruturas jurídicas e societárias tradicionais. Essa simplificação pode gerar: modelos societários mal desenhados ou mal amarrados; ausência de normas claras de governança; indefinição entre moradia, investimento e comunidade; conflitos de interesses e insegurança jurídica para investidores e até inviabilidade operacional no médio prazo.

Quando esses aspectos não são tratados de forma integrada, os riscos aparecem na operação.
Decisões sobre convivência impactam diretamente contratos, governança, mecanismos de saída integrantes, formas de atração de investidores e, por consequência, a valorização do ativo. Sem essa integração, o risco se manifesta no cotidiano do empreendimento.

Os projetos mais robustos compartilham características claras desde a origem: definição de modelo desde o início; estrutura jurídica compatível com o tipo de convivência proposta; governança explícita (não implícita); regras claras para entrada, permanência e saída e alinhamento entre discurso e cláusulas contratuais claras.

Diante disso, o olhar dos empreendedores imobiliários tradicionais começa a mudar. Investidores buscam ativos com características mais resilientes. O Cohousing passa a ocupar um lugar estratégico no panorama imobiliário contemporâneo, posicionando-se no ponto de convergência entre moradia, investimento e experiência de vida.

Trata-se de uma transição de lógica em resposta a necessidades reais e mensuráveis. O futuro do Cohousing no Brasil não depende apenas de aceitação cultural. Depende de estrutura, governança e segurança jurídica compatíveis com a complexidade do modelo. Quando bem desenhados, esses projetos conseguem alinhar expectativa social, viabilidade econômica e estabilidade institucional, condição essencial para que o empreendimento atravesse ciclos e se sustente ao longo do tempo. A discussão sobre Cohousings, portanto, deixa de ser apenas conceitual e passa a exigir leitura jurídica e estratégica desde a fase de planejamento.

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