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            Segundo o precursor na sistematização e aplicação do Direito Sistêmico, juiz de Direito Dr. Sami Storch: 

A expressão “direito sistêmico”, no contexto aqui abordado, surgiu da análise do direito sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas, segundo a ciência das constelações sistêmicas desenvolvida pelo terapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger.”[1]

Nesse sentido, o Direito Sistêmico emerge como uma forma direta de aplicar às relações e casos jurídicos, as premissas das Ordens do Amor, das Constelações Familiares e a postura e olhar sistêmicos, nos termos ensinados por Bert Hellinger, filósofo e terapeuta alemão, criador da filosofia sistêmica conforme aplicada na atualidade.

Como filosofia e metodologia autônoma, derivada da filosofia sistêmica, o Direito Sistêmico surgiu de uma inquietação do Dr. Sami Storch que, já apropriado do conhecimento acerca das Constelações Familiares, percebeu que as soluções jurídicas e, portanto, legais, muitas vezes não traziam justiça e/ou equilíbrio real aos sistemas familiares e às relações. Segundo o Dr. Sami Storch: 

O direito sistêmico se propõe a encontrar a verdadeira solução. Essa solução não poderá ser nunca para apenas uma das partes. Ela sempre precisará abranger todo o sistema envolvido no conflito, porque na esfera judicial – e às vezes também fora dela – basta uma pessoa querer para que duas ou mais tenham que brigar. Se uma das partes não está bem, todos os que com ela se relacionam poderão sofrer as conseqüências disso.

(…)

A abordagem sistêmica do direito, portanto, propõe a aplicação prática da ciência jurídica com um viés terapêutico – desde a etapa de elaboração das leis até a sua aplicação nos casos concretos. A proposta é utilizar as leis e o direito como mecanismo de tratamento das questões geradoras de conflito, visando à saúde do sistema “doente” (seja ele familiar ou não), como um todo.

            Na prática, o Direito Sistêmico pode ser utilizado não apenas por meio da aplicação das Constelações Sistêmicas aos casos jurídicos, como também por meio de exercícios teóricos e práticos mais simplificados e, mais sutilmente, por meio da abordagem e da postura sistêmicas, por parte do operador do Direito.  

No que tange a este tema, a advogada e consteladora Bianca Piazzatto Carvalho, autora da Obra “Constelações Familiares na Advocacia Sistêmica – Uma Prática Humanizada”, trata dos Pressupostos do atendimento sistêmico, que seriam[2]:

  • Pensamento sistêmico: seria a percepção primordial de que o mundo é composto por sistemas e que as partes que integram um sistema serão afetadas por ele e afetarão o afetarão, invariavelmente;
  • Presença: seria o exercício constante de trazer a consciência para o momento presente, por meio dos cinco sentidos e de nossa sensibilidade inata. Aqui, resgatamos a percepção de que, atuar no modo “piloto automático”, ou permeado de emoções causadas por uma questão pessoal, pode interferir radicalmente no caso de um cliente, trazendo consequências sérias para a vida e o sistema do interlocutor de um operador do Direito. Neste âmbito, segunda Bianca, é imprescindível resgatar a essência primária da função da advogada ou advogado sistêmico, na busca de nossa verdade interna e da real missão do advogado, dando o suporte necessário ao cliente, para que, com consciência, possa caminhar no sentido de uma solução adequada para seu caso;
  • Percepção sistêmica: tal percepção conecta-se com a premissa de que o advogado ou advogada possam enxergar o cliente e sua questão, bem como todo conflito, processo, sistema, sem intenção pessoal e sem querer mudar nada, conectando-se com um sentimento de respeito e com a disponibilidade interna de estar a serviço daquele sistema, com seus destinos e peculiaridades;
  • Postura sistêmica: a postura sistêmica seria o que Bianca designa como um “estágio avançado de presença”[3], em que o advogado ou advogada se afasta da intenção de querer ajudar o cliente, interpretando o que é certo ou errado, bom ou ruim para o interlocutor. O ideal seria a postura de acolhimento, em que o advogado ou advogada não é um destino ou um fim para a solução, mas uma ferramenta;
  • Linguagem sistêmica: frases: neste item, é frisado que o trabalho do advogado ou advogada sistêmica é de mudança de posições ou de estados e, portanto, das imagens cristalizadas trazidas pelo cliente. Nesse sentido, as frases e a linguagem sistêmica, de forma geral, são instrumento muito eficazes, para o cliente já possa enxergar a situação por outro prisma e, quiçá, encontre uma solução de forma autônoma para sua situação. 

            Diante disso, fica evidente que a forma de atuação sistêmica, no âmbito da advocacia e das profissões jurídicas em geral, é uma maneira completamente inovadora e diferenciada de lidar com as questões e casos jurídicos, criando um ambiente de acolhimento ao cliente, extraindo o protagonismo do advogado e da advogada, tão recorrentes na atualidade, e trazendo à consciência e à superfície as potenciais causas reais, efetivas e essenciais de um conflito ou processo, por exemplo.


[1] https://direitosistemico.wordpress.com

[2] CARVALHO, Bianca Pizzatto. Constelações Familiares na Advocacia Sistêmica – Uma Prática Humanizada. 1ª edição, Joinville/SC: Manuscritos Editora, 2018.

[3] CARVALHO, Bianca Pizzatto. Constelações Familiares na Advocacia Sistêmica – Uma Prática Humanizada. 1ª edição, Joinville/SC: Manuscritos Editora, 2018, p. 81.